a primeira vista este dia seria um dia comum de uma semana mais ou menos comum de um ano até então mais que comum, não fosse o fato de minha mãe surgir com uma idéia fora do comum. "por que não levas aninha ao cinema essa tarde?". aceitei a opção desafiante, até porque a menina havia arrumado meu quarto - incluindo reorganização do mural e tirada de poeira de semanas do móvel - nos últimos dois dias contra minha vontade (não que eu goste da bagunça, mas não admito ela fazer esses serviço). fui retribuir.
antes de irmos direto ao enorme shopping onde o ótimo cinema se encontra, passamos antes na produtora dos meus pais pra matar o tempo dela com outras pessoas, afinal ao chegar lá só teria moi, ou seja, não muita coisa. enquanto tomava meu querido café ao seu lado e de minha irmã, cunhado e mãe, a menina sem querer bateu com a mão na minha xícara e, meu! que café quente!. pensei "ótimo, isso foi um prenúncio do que tá por vir". me preparei psicologicamente ao passo que lavava a mancha preta da minha calça escura e passava ferro na mesma, agradecendo, no fim, por ter desistido na última hora de usar vestido. Amém.
isto resolvido, fomos finalmente ao centro de lazer e compras - não exatamente nessa ordem - pra darmos início ao evento que denominamos de 'a incansável busca pela diversão fora dos muros que me cercam em casa' (minto. essa parte acabei de inventar). vinte minutos antes da sessão ter início, entrei na fila para garantir o passaporte, crente que duas horas depois já estaríamos em casa. " não há mais vagas, só na próxima sessão às 18:20". quase soltei um "mulher de Deus, estou só com essa criança pela primeira vez, por favor não me faz correr o risco dela me enlouquecer nesse meio tempo!". mas olhei pra menina e desisti de tentar qualquer coisa, só comprei.
depois de alguns minutos explicando o por quê de não estarmos vendo o filme, fomos em busca de algo para comermos. diante dos diversos saquinhos coloridos de salgadinhos dos mais variados sabores, aninha escolhe um tímido pacote de amendoim que, segundo ela, gostava muito e comeria todo. ofereci outras coisas mais atraentes para crianças, mas ela permaneceu inabalável. o amendoim era seu.
alimentadas, partimos para a uma loja a fim de ocupar os olhos com coisas que não compraríamos. perguntando o que ela estaria interessada em ver, me pegou pela mão e me levou direto aos livros. sorri e acompanhei seus passos incentivada pelo interesse da menina naquelas páginas desenhadas e não nas bonecas, como seria comum. ela escolheu um livro, deixou em minhas mãos e disse "lê pra mim". achei lindo e foi nesse momento que pensei que esse dia deveria ser registrado. sentamos lá no chão mesmo. enquanto lia, ela pegava outros livros próximos a si e dava uma olhadela, e quando eu parava percebendo que ela já estava n'outra história ela dizia "continua!". eu apenas obedecia.
assim ficamos, entre páginas e páginas até faltarem poucos minutos pra o filme dar início. entramos na sala, ela continuava com o amendoim, pediu outro guaraná - foram 900l ao todo - e ficou lá, calada, esperando as luzes se apagarem (mentira, para ela o filme começava quando todos que iam assistir chegassem. mal sabe ela que a educação da maioria não permite isso). o filme começou, ela riu, comeu, bebeu todo o refrigerante, comeu todo o amendoim, pediu mais refrigerante, pediu pra ir ao banheiro, contou o que ia acontecer na história, deitou no meu braço, tirou um cochilo, comeu pirulito.
as luzes se acenderam e vi um sorriso tão sincero e longo que se estendeu até chegarmos em casa. ainda lá, quando saíamos da sala ela soltou "me traz mais vezes." e depois me deu um abraço e disse "eu queria ficar mais tempo com tu".
aninha, minha querida, se um dia na tua vida chegares a ler isso, saibas que tens meu coração. hoje isto está mais claro que o transparente, cujo significado aprendeste também hoje.
o tempo que quiseres gastarei contigo.
sempre.
com carinho,
lulu.
antes de irmos direto ao enorme shopping onde o ótimo cinema se encontra, passamos antes na produtora dos meus pais pra matar o tempo dela com outras pessoas, afinal ao chegar lá só teria moi, ou seja, não muita coisa. enquanto tomava meu querido café ao seu lado e de minha irmã, cunhado e mãe, a menina sem querer bateu com a mão na minha xícara e, meu! que café quente!. pensei "ótimo, isso foi um prenúncio do que tá por vir". me preparei psicologicamente ao passo que lavava a mancha preta da minha calça escura e passava ferro na mesma, agradecendo, no fim, por ter desistido na última hora de usar vestido. Amém.
isto resolvido, fomos finalmente ao centro de lazer e compras - não exatamente nessa ordem - pra darmos início ao evento que denominamos de 'a incansável busca pela diversão fora dos muros que me cercam em casa' (minto. essa parte acabei de inventar). vinte minutos antes da sessão ter início, entrei na fila para garantir o passaporte, crente que duas horas depois já estaríamos em casa. " não há mais vagas, só na próxima sessão às 18:20". quase soltei um "mulher de Deus, estou só com essa criança pela primeira vez, por favor não me faz correr o risco dela me enlouquecer nesse meio tempo!". mas olhei pra menina e desisti de tentar qualquer coisa, só comprei.
depois de alguns minutos explicando o por quê de não estarmos vendo o filme, fomos em busca de algo para comermos. diante dos diversos saquinhos coloridos de salgadinhos dos mais variados sabores, aninha escolhe um tímido pacote de amendoim que, segundo ela, gostava muito e comeria todo. ofereci outras coisas mais atraentes para crianças, mas ela permaneceu inabalável. o amendoim era seu.
alimentadas, partimos para a uma loja a fim de ocupar os olhos com coisas que não compraríamos. perguntando o que ela estaria interessada em ver, me pegou pela mão e me levou direto aos livros. sorri e acompanhei seus passos incentivada pelo interesse da menina naquelas páginas desenhadas e não nas bonecas, como seria comum. ela escolheu um livro, deixou em minhas mãos e disse "lê pra mim". achei lindo e foi nesse momento que pensei que esse dia deveria ser registrado. sentamos lá no chão mesmo. enquanto lia, ela pegava outros livros próximos a si e dava uma olhadela, e quando eu parava percebendo que ela já estava n'outra história ela dizia "continua!". eu apenas obedecia.
assim ficamos, entre páginas e páginas até faltarem poucos minutos pra o filme dar início. entramos na sala, ela continuava com o amendoim, pediu outro guaraná - foram 900l ao todo - e ficou lá, calada, esperando as luzes se apagarem (mentira, para ela o filme começava quando todos que iam assistir chegassem. mal sabe ela que a educação da maioria não permite isso). o filme começou, ela riu, comeu, bebeu todo o refrigerante, comeu todo o amendoim, pediu mais refrigerante, pediu pra ir ao banheiro, contou o que ia acontecer na história, deitou no meu braço, tirou um cochilo, comeu pirulito.
as luzes se acenderam e vi um sorriso tão sincero e longo que se estendeu até chegarmos em casa. ainda lá, quando saíamos da sala ela soltou "me traz mais vezes." e depois me deu um abraço e disse "eu queria ficar mais tempo com tu".
aninha, minha querida, se um dia na tua vida chegares a ler isso, saibas que tens meu coração. hoje isto está mais claro que o transparente, cujo significado aprendeste também hoje.
o tempo que quiseres gastarei contigo.
sempre.
com carinho,
lulu.
3 comentários:
Lulu basta dizer que tô em lágrimas......(Amanda)
Meu Deus... Quanto nossa Filha esta crescendo!!! Parabéns pelo excelente trabalho de vcs... Amanda vamos ficar de olho..André Santos (seu pai)
Vaca, quer dizer, Girafa, vc tem um blog e nunca me contou!
Postar um comentário